Botafogo: contra tudo e contra todos

Artigo de Naiara Gomes

Campeão da Taça Guanabara, campeão da Taça Rio e, conseqüentemente, campeão Carioca de 2013. Sete integrantes na “Seleção do Carioca”, além do melhor técnico, craque e revelação do campeonato. O cenário, claro, é animador. Mas é necessário pé no chão, querido torcedor alvinegro. É necessário muito pé no chão.

O jogo de ontem contra o CRB, na Copa do Brasil, mostrou isso. Quem não assistiu ao jogo, se iludirá com o placar e achará que o jogo foi fácil, que o Botafogo dominou com autoridade. Quem viu o jogo, entretanto, sabe que isso não aconteceu.

O torcedor viu um Botafogo confuso em campo, perdendo chances claríssimas de gol. A defesa, provavelmente sentindo a falta de Dória, que está na Seleção Brasileira Sub-20, teve seus vacilos e precisou contar com a ajuda de Jefferson. E o Jefferson dispensa comentários, não é mesmo? Goleiraço, aço, aço, aço.

Apesar das dificuldades, a superioridade técnica do Botafogo falou mais alto e o time conseguiu vencer por 3×0, com gols de Antônio Carlos, Andrezinho e dele, o cara que perdeu um gol incrível ainda no primeiro tempo: Rafael Marques.

Rafael Marques. Rafael Marques. O jogador do Botafogo mais “cornetado” nos últimos tempos. Foi dele o gol do título carioca, mas a torcida ainda pega no pé dele. E com razão!

O caminho a ser percorrido é longo. A Copa do Brasil, caminho mais fácil, digamos assim, para a Libertadores e título ainda não conquistado pelo Botafogo, dura até meados de novembro. O Campeonato Brasileiro, com suas 38 longas rodadas, dura até dezembro. O ritmo de jogos, portanto, será intenso. Teríamos que contratar reforços para dar conta dessas duas competições. Teríamos.

Mas o elenco do Botafogo será esse mesmo, caro torcedor. A saída do menino Dória é provável, o que certamente causará dor de cabeça na zaga e um buraco no time. A contratação de um atacante matador, com faro de gol é bastante necessária, todo mundo sabe, mas retomo a frase lá do início do texto: é preciso pé no chão.

Não se esqueça torcedor, que nosso querido Engenhão está interditado. Interdição com muita história mal contada, diga-se de passagem. Ficar sem o Engenhão dói bastante no bolso do Botafogo. Bastante. É não contar com os anúncios, não contar com o aluguel do estádio aos sem-teto do Rio, não contar com os show e eventos que eram realizados lá e, é claro, não contar com a presença da torcida.

Apesar dos pesares, há o que se comemorar. Temos um monstro em campo chamado Clarence Seedorf. Um monstro! Um cara que dispensa apresentações. É um baita orgulho para todos nós botafoguenses ter o Seedorf no nosso amado Botafogo. Seedorf é um líder dentro de campo, joga com a alma, se doa por completo, mesmo com seus 37 anos. Seedorf tem vontade de ganhar. E passa isso para o time. Tanto para os mais experientes quanto para os garotos da base.

Se você torcedor olhar para um passado recente e doloroso, lembrará que faltava nos jogadores do Botafogo aquela vontade de vencer. Agora é diferente. (Ou pelo menos parece que é diferente). Eu prefiro acreditar que agora é diferente e que o final da estrada será melhor.

E é aqui que entra o nosso papel. Vamos apoiar, vamos torcer! Contra tudo e contra todos, como no Carioca! Vamos pra cima dos putos! Os Deuses do Futebol hão de nos recompensar para que a Estrela Solitária brilhe cada vez mais.

Saudações Alvinegras.

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