Com repercussão na cobertura das manifestações, Globo teme por repórteres e emite comunicado no “Jornal Nacional”

Por Eduardo Silvestre com informações do iG

Nos últimos dias, uma onda de protestos que apoiam o movimento “Passe Livre” ganharam força em todo o país, movimentando as redes sociais e principalmente todos os meios de comunicação. Além de pedir a melhoria no transporte público e o fim da PEC 37, muitos manifestantes queixavam-se da forma com o qual eram retratados pelas emissoras de TV, mais especificamente pela Rede Globo.

Nesta segunda-feira (17), um grupo de pessoas se dirigiu a sede da emissora em São Paulo levando em mãos cartazes que destacavam palavras de contestação por parte da Globo. Sendo assim, a emissora decidiu fazer um link ao vivo no “Jornal Nacional” que foi redigido por César Galvão. Com os recentes protestos, a direção geral do noticiário decidiu por via das dúvidas fazer um editorial exclusivo sobre o tema para garantir sua isenção sobre todos os últimos fatos que transmite, alegando que a emissora apenas cumpre o papel de informar.

A apresentadora Patrícia Poeta reforçou a postura da TV GLOBO perante todos os acontecimentos nas capitais, garantindo que tudo está sendo mostrado de forma concreta e imparcialista. A emissora carioca decidiu também proteger todo o seu corpo de reportagem, sendo assim jornalistas da Globo ou da GloboNews que estiverem à rua cobrindo as manifestações, são obrigados a retirarem a canopla do microfone que têm o logo da emissora estampado. A ideia é preservar a integridade física e moral dos repórteres e inclusive evitar protestos instantâneos. 

HOSTILIZAÇÃO

O jornalista Caco Barcellos, da Rede Globo, foi hostilizado e impedido de trabalhar por um grupo de aproximadamente 100 manifestantes que participavam da concetração do protesto desta segunda-feira (17) no Largo da Batata, o quinto convocado pelo Movimento Passe Livre.

Barcellos foi cercado por manifestantes que, de forma agressiva, tentaram expulsar o jornalista da manifestação aos gritos de “manipulador” e palavrões. Ele ainda tentou argumentar: “Só fui impedido de trabalhar pela ditadura e sob tortura”.

Entre os mais exaltados estavam os militantes do Partido da Causa Operária (PCO): “Eu sou o povo, eu decido quem pode participar”, gritava, Renato Santos, que se identificou como militante do PCO.

Enquanto um grupo hostilizava o repórter da TV Globo, a grande maioria dos manifestantes condenava o ato de agressividade, lembrando que Barcellos se notabiliza pela defesa dos direitos humanos e que chegou a sofrer ameaças de morte, por conta do livro Rota 66 , no qual denuncia execuções praticadas pela tropa de elite da Policia Militar de São Paulo.

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