Depois de 200.000 irem às ruas, autoridades defendem manifestações

Um dia depois das manifestações que levaram mais de 200 mil pessoas às ruas de várias cidades do país, a presidenta Dilma Rousseff disse que a mensagem direta das ruas é por maior participação e contra a corrupção e o uso indevido do dinheiro público.

“O Brasil hoje acordou mais forte. A grandeza das manifestações de ontem comprova a energia da nossa democracia, a força da voz da rua e o civismo da nossa população”, disse Dilma, durante apresentação do novo marco regulatório para o setor de mineração, ao avaliar as manifestações de ontem.

A presidenta disse que é preciso louvar o caráter pacífico dos atos públicos de ontem e o tratamento dado pela segurança pública à livre manifestação popular. “Infelizmente, porém, é verdade, aconteceram atos minoritários e isolados de violência contra pessoas, contra o patrimônio público e privado, que devemos condenar e coibir com vigor”, observou, ressaltando, no entanto, que os incidentes não ofuscam o espírito pacífico das pessoas que foram às ruas reivindicar seus direitos.  

Já o vice-presidente do Brasil, Michel Temer, defendeu hoje (18) que autoridades e manifestantes busquem o diálogo para encerrar o impasse que envolve as manifestações em todo o país. Para ele, o governo deve “averiguar” as queixas dos manifestantes. Temer, que é professor de direito constitucional, disse que a “manifestação é um direito democrático”.

“O governo federal deve dialogar com os manifestantes para averiguar quais são as queixas principais e depois terá que encontrar soluções. Devemos incentivar o diálogo, saindo do pressuposto de que o direito à manifestação é um direito democrático, estipulado em nossa Constituição”, disse Temer.

O coordenador de Responsabilidade Social da Federação Internacional de Futebol (Fifa),  Federico Addiechi, defendeu hoje (18) o direito dos brasileiros de protestar, mas condenou atos de violência nas manifestações. Um dos motivos que levaram a protestos em várias capitais brasileiras é, segundo manifestantes, o gasto público excessivo com a Copa do Mundo da Fifa de 2014.

“[O direito de se manifestar] é uma grande coisa e podemos ver isso acontecendo no Brasil. O Brasil é um país democrático. E, mesmo que isso esteja acontecendo durante a Copa das Confederações ou se acontecer durante a Copa do Mundo ou em qualquer momento, as pessoas, em uma democracia, têm o direito [de protestar] e temos que aplaudir essa oportunidade. Isso é algo positivo, é claro, condenando qualquer ato de violência que vimos acontecer”, disse Addiechi.

Em reunião com líderes do Movimento Passe Livre (MPL), o prefeito da capital paulista, Fernando Haddad, repudiou a violência em manifestações contra o aumento das passagens do tranporte público. O MPL organizou os cinco protestos contra a elevação da tarifa de R$ 3 para R$ 3,20, em vigor desde o início do mês.

O prefeito destacou que, na manifestação de ontem, houve pouquíssimos incidentes. “Eu nunca utilizei uma palavra qe desmerecesse o movimento. Nunca usei palavras como vândalos e baderneiros. Eu tenho repudiado a violência, principalmente, quando ela parte do Estado”. (Agência Brasil)

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