Governo de São Paulo gasta quase R$ 2 bilhão em compra de 65 trens em licitação internacional

Por Philippe Azevedo

No início de julho, a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) finalizou um processo de licitação para a compra de 65 trens por R$ 1,8 bilhão. O Consórcio Iesa e a empresa espanhola CAF foram os vencedores. A Iesa vai receber R$ 788 milhões por 30 trens, e a CAF que tem fábrica no Brasil, receberá cerca de R$ 1 bilhão pela fabricação de 35 trens.

O contrato, que ainda está em fase de assinatura, prevê a entrega dos três no prazo de 18 a 36 meses, o que seria a partir de 2015. Em agosto de 2012 foi quando começou a compra e lançado o primeiro edital. Segundo Geraldo Alckmin, na época, apenas uma empresa se apresentou e os preços foram considerados altos.

Abrimos a licitação no final do ano passado, um só consórcio participou da disputa, nós anulamos a licitação, abrimos uma nova licitação – concorrência pública internacional – e conseguimos uma economia, no lote 1, de 35 trens, de R$ 404 milhões. E no lote 2, R$ 366 milhões. Quase R$ 800 milhões de economia. O governo está super atento para sempre ter disputa”, disse Alckmin.

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), atualmente, apura suspeitas de cartel em licitações em São Paulo e Distrito Federal. A Corregedoria Geral de São Paulo também investiga as irregularidades. O governo do estado, no entanto, não informa detalhes sobre se há suspeita direta de cartel na licitação da compra dos 65 trens.

A CPTM afirma que decidiu transformar a licitação em internacional, pois no primeiro edital a cobrança na compra dos trens “estava muito acima do orçamento”. Para o lote de 30 trens, o valor estimado estava em R$ 904 milhões e para os 35, o valor estava em R$ 1 bilhão. O governo do estado afirma que teve uma economia de R$ 700 milhões.

Todas as composições terão oito vagões, 170 metros de comprimento, ar condicionado e salões contínuos de passageiros. São vagões interligados semelhantes aos que existem hoje na Linha 4-Amarela do Metrô.

A compra foi determinada para atender “a futura demanda de passageiros” e o processo de modernização. Segundo a companhia, as linhas estão sendo preparadas para operar com intervalos de até três minutos nos horários de pico.

As unidades poderão circular nas seis linhas da CPTM que atendem a Grande São Paulo, pois contarão com todos os equipamentos de sinalização de bordo.


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