Governo vai ouvir universidades federais sobre o programa ‘Mais Médicos’

Por Philippe Azevedo

Com uma grande repercussão negativa, o governo federal prometeu ouvir as universidades federais e realizar ajustes no programa ‘Mais Médicos’. O projeto teve mais de 500 propostas de alteração antes de chegar no Congresso. As mudanças desfiguram o programa original.

Entre as alterações, deputados e senadores querem acabar com o projeto do governo que aumenta de seis para oito anos o curso de medicina, com dois anos de trabalho nos hospitais públicos.

Os ministros de Educação e da Saúde conversaram com representantes de universidades federais que reclamaram que não foram ouvidos sobre as mudanças no curso de medicina. Uma das preocupações é quanto à estrutura das unidades que receberão os alunos e das universidades que irão supervisioná-los.

“É sabido que no país, de um modo geral, não é uniforme. Há situações com maior carência e regiões  com menor carência. Há uma preocupação sobre a estrutura disponível para essa formação”, diz Paulo Marco de Faria e Silva, reitor da UNIFAL-MG.

Pela proposta original do governo, a partir de 2015, para conseguir o registro profissional, é necessário cumprir os dois anos em trabalhos em hospitais públicos, aumentando a duração do curso de seis para oito anos.

O governo incluiu representantes das universidades para entrarem na discussão. O grupo, apesar da inclusão, quer saber quando o governo vai implantar as mudanças e ouvir o meio acadêmico.

“Nós temos sete anos ainda para implantar no caso dos estágios, porque o primeiro estudante que vai entrar nesse programa é em 2021”, disse o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, afirmando que terá infraestrutura.

O projeto terá de ainda ser aprovado pelo Congresso e já recebeu 567 propostas de mudança de parlamentares para medida provisória que prevê a nova grade de medicina e a contratação de médicos no interior do país.

“Palavra final quem tem é o Congresso Nacional. Vamos lutar por essa concepção, acho que o povo precisa de mais médicos, precisamos melhorar a formação dos médicos. Um médico humanista, que seja especialista no ser humano e estamos trabalhando intensamente por isso”, declarou Mercadante.

A comissão de representantes das universidades federais, agora criada pelo governo, também vai discutir sobre a contratação de médicos estrangeiros para regiões que faltam profissionais da saúde.

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