Histórias em que a relação entre homem e bicho ultrapassam os limites físicos

Por Yan Pedro

Cão

Inúmeras características podem ser creditádas aos bichos de estimação – principalmente cães e gatos -, mas uma, sem dúvida, é a que melhor representa a relação ‘homem-animal’: companheirismo. Duas mulheres, uma estudante outra cabeleireira, com vidas completamente distintas, mas com algo em comum: o amor ao bicho.

A cabeleireira Ivonete Kuhnen Oliveira, 41 anos, que desde pequena gosta de animais. Pode ser gato, cachorro, papagaio, calopsita, periquito, tartaruga…  ela sempre cuida com muito amor e dedicação. “Desde que me conheço como gente, sempre tirei animal da rua. As pessoas deixavam os animais em frente à minha casa porque sabiam que eu iria cuidar”, relembra a cabeleireira.

Ivonete diz que nunca está sozinha, sempre tem algum bicho ao seu lado. Apesar da alegria que os animais podem trazer, ela já chorou muito a perda de uma cachorra. “Depois de ficar muito doente, eu consegui recuperá-la. Mas depois ela acabou fugindo ou roubada, não sei. Eu fiquei duas semanas procurando nas ruas próximas à minha, mas não achei”, conta Ivonete, que gasta R$ 180 mensais para alimentar os quatro cachorros, três gatos, uma calopsita e 18 periquitos.

A estudante de Jornalismo, Carolina Manske, também cuida de vários animais de estimação; nove no total; oito gatos e a preferida, ou a irmã que ela não teve, a cachorrinha Tuli. Ela chegou a sua casa depois de ela saber que o vizinho iria sacrificá-la, caso ninguém a adotasse. “Quase chorei quando ouvi aquilo e irritei tanto meu pai que ele deixou eu levar um deles para casa”, disse.

A relação com Tuli ultrapassa os limites físicos.“Ela (Tuli) se tornou parte da família, como sou filha única considero ela minha irmã e minha mãe também, a trata como filha, ela tem direito a bolinho (especial pra cachorro) no aniversário e presentes em baixo da arvore no natal (…). Quando estou mal, vou pra perto da Tuli, e ela fica comigo, me olhando, como se entendesse o que está acontecendo”, conta.

Cão

No início desse ano, Tuli ficou doente; passou três semanas a base de soro, sem comer. A estudante disse que nunca havia sofrido tanto e, quando ocorria o agravamento da situação, ela ficava ao lado, chorando. “Lembro que quando ela voltou a comer eu e a minha mãe pulávamos na cozinha de tanta alegria (risos). Hoje ela tá lá em casa, linda e fofa fazendo a gente feliz”, conta Carolina, que desembolsou cerca de R$ 300 na recuperação de Tuli.

O Brasil, atualmente, é o quarto País em número de animais domesticados com 101,1 milhões. Os cães somam 36 milhões, logo em seguida vem os peixes, com 25 milhões e, depois, os gatos, com 19,8 milhões. O setor pet faturou R$ 14 bilhões em 2012, um crescimento de 16% em relação a 2011.

Gilberto Gnoato, mestre em psicologia pela UFPR, psicoterapeuta há mais de 20 anos, explica que essa relação homem-animal é muito parecida com a de um humano. “Eles são adotados como uma espécie de extensão da família, como um mascote. Depois de algum tempo, não sabemos mais distinguir o cachorro ficou com a cara do dono ou o inverso. É uma relação muito intensa. Os animais despertam emoções profundas no ser humano.”

Cão

A perda de um animal tem tratamento semelhante ao de um familiar, especialmente quando o paciente é uma criança. “Mais um integrante da família é a forma de tratar a perda é mais ou menos semelhante a perda de um membro da família. Não é exatamente a mesma, mas em ‘grau’ é muito semelhante. Trabalhar o luto… e no Brasil, existe a crença que quando morre vai para outro lugar, isso também é importante.”

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