Índice de evangélicos jovens se aproxima dos católicos, revela pesquisa Data Popular


(Foto: Divulgação/Internet)

Philippe Azevedo

A vinda do papa Francisco ao Brasil para a Jornada Mundial da Juventude, além de outros assuntos, também vai abordar a queda de pessoas que se declaram católicas e o crescimento dos evangélicos no Brasil.

Em pesquisa realizada pela Data Popular, menos da metade dos brasileiros entre 16 e 24 anos são católicos. Segundo o levantamento, 44,2% dos jovens entrevistados se declararam católicos, 37,6% protestantes/evangélicos, 6,5% outras religiões e 11,5% afirmam não possuir religião.

No mês de maio, o Data Popular ouviu 1.501 pessoas nas áreas urbanas de 100 cidades de todas as regiões do país. Segundo o instituto, a margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos.

O índice mostra uma queda drástica em comparação a última pesquisa feita pelo Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que apontava um percentual de 63% de católicos entre os jovens com idades entre 15 e 24 anos. Dos 190,7 milhões brasileiros, 34,1 milhões são jovens entre 15 e 24 anos. O país tem 123,3 milhões de católicos, sendo 21,8 milhões jovens. Segundo o IBGE, o percentual de católicos no país recuou de 73,6% em 2000 para 64,6% em 2010.

Renato Meirelles, presidente do Data Popular, afirma que os números confirmam a tendência já apontada pelo Censo 2010.  “Estamos falando de quase 3 anos de diferença. Essa queda se acentuou e não parou. A pesquisa confirma essa tendência detectada pelo IBGE e confirma que a queda é mais forte entre os mais jovens do que entre os mais velhos”, diz.

Ele explica, entretanto, que as entrevistas do Data Popular foram feitas apenas nas áreas urbanas – que representam cerca de 85% da população – e no formato de autodeclaração, o que difere da metodologia utilizada no Censo, pela qual o responsável pelo domicílio é quem responde o questionário pela família.

“O pai pode achar que o filho é católico, mas o filho pode não se identificar como católico. Na forma autodeclarada procuramos identificar o quanto a pessoa efetivamente se identifica ou não com a religião”, diz Meirelles.

Crescimento dos evangélicos
A pesquisa do Data Popular ponta também uma diferença considerável de percepção entre os mais jovens e os mais velhos quando o assunto é religião. O apego às crenças é proporcionalmente maior entre os mais velhos: 88,3% dos entrevistados com 50 anos ou mais concordam que é importante ter uma religião ao passo que entre os jovens entre 16 e 24 anos esse percentual caiu para 76%.

“Esse é o foco principal da visita do papa ao Brasil: tentar conquistar uma parcela da população que está afastada da Igreja Católica, seja porque está seguindo uma outra religião, ou por não ter uma”, destaca o presidente do Data Popular.

Segundo Meirelles, entre os desafios da Igreja Católica está também um novo modelo evangelização que consiga dialogar com os códigos dos jovens. “As igrejas evangélicas entraram mais fortemente nas classes C e D, que possuem o maior número de jovens, se valendo de novas formas de tecnologia e de evangelização. Hoje você vê funk gospel, samba gospel – modelos que só mais recentemente começamos ver na Igreja Católica”, avalia.

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