Joaquim Barbosa critica partidos e defende participação popular direta

Por Edson Guidoni com Agência Brasil

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, conversou hoje (25) com a presidenta Dilma Rousseff no Palácio do Planalto sobre os protestos recentes que tomaram o país. Logo depois, falou com jornalistas, no plenário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ)

Barbosa criticou os partidos brasileiros e defendeu a participação popular direta nas principais decisões do país. Para ele, os partidos estão “desgastados” e “sem credibilidade”, enquanto o povo está pronto para ser ouvido nas questões nacionais, como a necessidade de reforma política. Para ele, o Brasil vive uma crise de representatividade política e, embora não defenda a eliminação de partidos, apoia menor dependência das legendas para discutir os temas nacionais. “Temos que ter é consciência muito clara de que há necessidade de incluir o povo nas discussões sobre reformas. O Brasil está cansado de reformas de cúpula.”

O presidente do STF disse que não conversou com a presidenta sobre a legalidade da convocação de Assembléia Constituinte específica para discutir a reforma política. Ele ressaltou, porém, que essa reforma só seria possível por meio de emendas à Constituição, e não apenas por projetos de lei, e disse que tem dúvidas sobre a eficácia deste método.

O ministro ainda revelou propostas que defendeu durante a conversa com a presidenta Dilma Rousseff, como o voto direto nos candidatos, sem intermédio de legendas, a realização de recall eleitoral para descartar políticos que não agradaram a seus eleitores durante o mandato e o voto distrital puro, em um ou dois turnos qualificados. No campo Judiciário, defendeu a eliminação da dependência política para progressão de cargos e a alteração na composição dos tribunais eleitorais.

Joaquim Barbosa frisou que todas essas opiniões são individuais e não representam o posicionamento dos integrantes do STF.

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