Manifestação em Vitória/ES reúne 20.000 e Tropa de Choque ataca no final

Reportagem: Lucas Rezende ([email protected])

Eram 18h20 da tarde. Mais de 3.000 saíram da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) em direção à Praça do Pedágio da Terceira Ponte. Pelo caminho, representantes e causas como o fim da corrupção, privatização da BR-101, revisão das tarifas de ônibus e até um coeso apoio às manifestações pelo Brasil se juntaram formando um grupo de mais de 20.000 manifestantes fechando vias e clamando por melhorias.

Por onde passaram, os manifestantes iam recebendo apoio, seja pelos motoristas buzinando de seus veículos ou pelas palmas dos moradores que foram às suas sacadas apoiar o manifesto. Os dois sentidos da Avenida Fernando Ferrari e Nossa Senhora da Penha foram interditados, causando transtorno para quem voltava do trabalho. “Isso é horrível. Vou demorar duas horas mais que o normal para voltar de casa. Eles estão fazendo isso errado, tem que negociar em outro lugar”, disse a Técnica em Laboratório Nara Souza, revolta ao protesto.

Aos gritos de “Vem para a rua” e munidos de apitos e megafones, o protesto seguiu tranqüilo até as 19h45, quando chegaram na altura da Praça do Pedágio. A via mais movimentada da Grande Vitória foi interditada e manifestantes se deitaram ao som do Hino Nacional e de “Que país é esse?”, de Renato Russo. O protesto mais uma vez recebeu aderência da sociedade. Barcos que passavam pela Baía de Vitória buzinavam em apoio e apartamentos do Centro e da Praia da Costa, em Vila Velha, apagavam e ascendiam as luzes. Era o sinal de que ali havia um morador que apoiava a causa.

Fugindo do roteiro inicial, os manifestantes avançaram até o fim da orla de Vila Velha, em direção à Casa Oficial do Governo do Espírito Santo, em busca de um diálogo com Renato Casagrande (PSB). Por lá, quatro pequenos caminhões da Tropa de Choque da Polícia já aguardavam, munidos de balas de borracha, bombas de gás lacrimogêneo, cassetetes e spray de pimenta, os protestantes que entoavam o grito “sem violência”.

À frente da barreira da Tropa de Choque, os líderes do protesto, Walmir Júnior e Douglas Pinheiro, negociavam a presença do Governador Casagrande com o Major Geovano da Polícia Militar. “Queremos o governador. Vamos ficar de vigília até ele aparecer”, pressionavam. Depois de muita conversa, o Major ofereceu uma reunião de cinco pessoas com André Garcia, Secretário de Segurança. “André Garcia não exerce cargo executivo. Quem tem poder de caneta é Casagrande, queremos conversar com ele. A gente aguarda um helicóptero chegar”, solicitou Walmir.

Neste momento, um manifestante ateou uma lata contra a Tropa de Choque. De imediato, bombas de efeito moral foram tacadas na direção dos manifestantes acompanhadas de spray de pimenta. A imprensa local, que estava na frente do Choque, acompanhando as negociações, foi atingida pela força ostensiva.

 O caos tomou conta do local. Carros foram depredados e edifícios vandalizados. De um lado, a Tropa ateando bombas a todo o momento, de outro, manifestantes respondendo com pedras. O cenário era de caos. No tumulto, Matheus Venâncio Araújo Viana, de 25 anos, foi detido por depredação do patrimônio. Ele já tem passagem na polícia por tentativa de homicídio e agressão à mulher.  Em entrevista, Walmir Júnior confirmou a realização do protesto de quinta-feira (20), saindo às 17h30 da UFES.

Fotos: Dhyla Rosa, Gustavo De Biase e Marcelo Vieira. 

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