Protesto no Rio de Janeiro termina sem atos de vandalismo

27.jul.2013 - O tenente-coronel Mauro Andrade, que passou a comandar a PM nos protestos

Philippe Azevedo

Além de um dos pontos centrais da Jornada Mundial da Juventude, a Via Sacra, ter sido realizada em Copacabana, não foi só o movimento religioso que chamou atenção. Cerca de 200 manifestantes protestaram contra o governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral e gastos com a JMJ.

No entanto, a Polícia Militar adotou uma conduta diferente: ‘não atacar, dialogar’. O tenente-coronel, Mauro Andrade, estava à frente de muitos manifestantes, tranquilo, caminhava como se fosse um ativista.

“Essa arma aqui não é de gás, é de tinta. Se eu disparo, o sujeito fica marcado”, explicava com atenção o tenente-coronel a um grupo de manifestantes que o cercava na avenida Nossa Senhora de Copacabana. A atitude amistosa do tenente foi alvo de criatividade dos ativistas que gritavam “A PM aderiu, a PM aderiu”, enquanto, Andrade, desconcertado, fazia um sinal negativo.

Mauro Andrade diz que a nova tática pretende diminuir o confronto entre policiais e manifestantes. Os PMs do agrupamento, inclusive, conversava de política e fazia até piada com os ativistas.

“Eu fazia o policiamento dos estádios, dialogando com as torcidas. Muita gente acreditava que não daria certo, mas deu. A gente conseguiu chegar a um acordo com as torcidas e a violência diminuiu”, afirma o tenente-coronel.

Nos dois atos com a polícia sob seu comando, não houve incidentes graves. Na última quinta-feira (25), quando o protesto começou no Leblon, perto da casa do governador Sérgio Cabral, e só terminou sete horas depois em Copacabana, não houve quebra-quebra, nem prisões.

Ontem, houve apenas um incidente quando um rapaz tentou se aproximar do palco da Jornada Mundial da Juventude. Segundo relatos, a PM usou arma de choque para dispersar alguns manifestantes. Um químico, Felipe Braz Araújo, 29, foi detido e liberado logo na sequência. Araújo teve ferimentos no braço e no rasto, já que momentos antes cair sobre uma grade na altura de Atlântida.

Alguns minutos antes, o tenente-coronel havia autorizado os manifestantes a se aproximarem do palco da Jornada, desfazendo um cordão de PMs que os impedia de seguir.  Questionado se sua tática está dando certo, Andrade responde: “Está sim. Pode ver que ninguém quebrou nada, não teve coquetel molotov, o choque não precisou agir

Os ativistas continuaram pelas ruas de Botafogo, Flamengo, Catete, Glória até chegar à Lapa. E não houve registro de atos de vandalismos.

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