“Temos partidos de mentirinha”, critica Barbosa ao Congresso

Da Redação com Agência Folha

Ainda em meio as brigas entre o Judiciário e Legislativo, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa, afirmou nesta segunda (20) que os partidos políticos são de “mentirinha” e que o Congresso Nacional é “ineficiente” e “inteiramente dominado pelo Poder Executivo” durante uma palestra proferida no IESB (Instituto de Educação Superior de Brasília), instituição da qual é professor.

“Nós temos partidos de mentirinha. Nós não nos identificamos com os partidos que nos representam no Congresso, a não ser em casos excepcionais. Eu diria que o grosso dos brasileiros não vê consistência ideológica e programática em nenhum dos partidos. E tampouco seus partidos e os seus líderes partidários têm interesse em ter consistência programática ou ideológica. Querem o poder pelo poder (…) Esta é uma das grandes deficiências, a razão pela qual o Congresso brasileiro se notabiliza pela sua ineficiência, pela sua incapacidade de deliberar“, afirmou ao responder sobre a suposta interferência do Judiciário em assuntos do Legislativo.

Ao longo da palestra, as críticas continuaram quando afirmou: “O problema crucial brasileiro, a debilidade mais grave do Congresso brasileiro, é que ele é inteiramente dominado pelo Poder Executivo. O Congresso não foi criado para única e exclusivamente deliberar sobre o Poder Executivo. Cabe a ele a iniciativa da lei. Temos um órgão de representação que não exerce em sua plenitude o poder que a Constituição lhe atribui, que é o poder de legislar”, disse em meio aos aplausos dos presentes.

Quando tratava a respeito das regras e limites impostos aos Poderes para evitar excessos de um sobre os outros (freios e contrapesos), o ministro citou a votação da semana passada, que aprovou a Medida Provisória dos Portos, como um “contraexemplo” desses limites.

“Os excesso da Câmara dos Deputados podem ser controlados pelo Senado Federal. Ou seja, o Senado, como é um órgão composto por pessoas mais idosas, experientes, em geral ex-governadores, poderia controlar, conter os excessos e saliências da Câmara dos Deputados”, explicou.

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