Trabalho noturno pode trazer complicações médicas a mais de 15 milhões de brasileiros

Por Yan Pedro

Tranqüilidade, bônus salarial e carga horária reduzida são os principais motivos para cerca de 15 milhões de pessoas que escolheram a noite para trabalhar. Entretanto – principalmente em pessoas mais velhas – problemas como insônia, irritabilidade, dor de cabeça podem prejudicar a saúde desse grupo.

São muitas as vantagens para quem prefere a noite como turno de trabalho. As leis, regidas pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) e pelo Ministério de Trabalho, exigem um adicional de 20 % ao salário, além da hora ser de apenas 52 minutos e 30 segundos, diminuindo o tempo de trabalho.

O segurança Nilson Gonçalves, 47 anos, diz que “gosta da noite” apesar dos aborrecimentos na hora de descansar. “É ruim para dormir. Tem muito carro de som de manhã, isso atrapalha bastante”, conta o vigilante patrimonial da Ipreville, que trabalha há 15 anos nesse horário. Desarmado, Nilson prefere se omitir de algumas situações a fim de evitar possíveis retaliações.”No meu posto nunca aconteceu nada. Mas já vi ladrão andando em cima de telhado, vidraças sendo quebradas, brigas.”

Genildo da Silva Cordeiro, 61, porteiro em um prédio na parte central de Joinville, tem uma jornada de 12 horas de trabalho por 16 de folga. Mesmo adorando a “tranqüilidade noturna”, o simpático senhor possui problemas no momento de repor as energias. “Eu sofro de insônia, tenho que tomar comprimido para dormir. Chego em casa às 6h30, durmo até às 11h. Depois, só repouso à noite”.

Há também, entretanto, pessoas que se adaptam melhor aos descansos na parte da manhã. “Consigo dormir tranqüilamente”, disse o porteiro Zelito Gramoski, 48 anos, que trabalha há cinco anos das 21h às 5h.

O operário Pedro Paulo Medeiros, por sua vez, teve que mudar para o turno noturno devido a questões físicas. “À noite são apenas cinco horas e meia de trabalho, passo menos tempo em pé, o que ajuda no meu problema de inflamação na sola do pé”, conta o trabalhador de 51 anos, que há 13 exerce sua função nesse horário. Além dos empecilhos médicos, outro ponto o ajudou a trocar de turno: o salário maior.

Os trabalhadores noturnos têm 40% a mais de serem atingidos por transtornos neuropsicológicos, digestivos e cardiovasculares, revelou uma pesquisa comandada pelos médicos Eduard Estivill, chefe da Unidade do Sonho do Instituto Dexeus de Barcelona, e Apolinar Rodríguez, membro do Serviço de Neurofisiologia do Hospital da Paz de Mardi.

Eduard afirma que é impossível “enganar” o corpo. Mesmo dormindo em um ambiente semelhante aos repousos noturnos (escuro e sem ruído), o sono da noite não substitui o da manhã. Os ritmos biológicos diurno e noturno coincidem com as ações do cérebro, que enviam ao organismo ordens de atividade.

Add Comment